Semana do Laço Vermelho

24 de outubro de 2016

Ex-dependentes em tratamento

 

A cerveja sempre foi a minha melhor amiga, até essa minha amiga me isolar do mundo todo. Depois de três reabilitações me sinto totalmente livre. Porém agora, sem anestesiar essa realidade, sinto 10 vezes mais forte a pressão da sociedade, e da vida em geral. Geralmente, tenho depressões, mas sempre encontro algo para me inspirar. Não é fácil, ainda mais quando vejo tudo que perdi, mas, eu quero ser alguém. Quero lutar pela minha vida. Isso faz com que eu não tenha saudade dessa “amiga”.                                                                                                          E.F. 25 anos

 

Entrei nas drogas para fugir de uma realidade que eu não suportava. Para transformar um garoto frágil e tímido em um soldado que me fizeram acreditar que eu seria. Sem falar nas pessoas e nos lugares, só parceria firmeza, com uma caminhada escrita em letras douradas nas quebradas. Onde se chega é respeitado é bem recebido e é bem defendido. A luta contra o sistema, o conceito de parceria, a disciplina na quebrada era totalmente diferente. Eu me encantei à primeira vista, fiz todas as lições de casa. Mas era uma parceria falsa, sem saber eu era usado como peão de guerra achando ser guerreiro. Um dia vieram me avisar que a polícia iria me matar, naquele ponto, depois de dois tiro no pó eu não estava nem ai, se eles me querem então que venham me buscar. Só que quem me contou isso, também contou pra minha família e então a casa caiu. Fui para a reabilitação pensando só em matar o tempo e depois voltar a usar. Mas quando eu vi, percebi o que as drogas tinham feito com os outros caras na clínica eu percebi também o que elas fizeram comigo. Não posso nem descrever o sofrimento que eu via na vida das crianças a qual os pais ou familiares entraram nas drogas. Elas tinham acabado com suas famílias. Ia ouvindo as histórias de um por um lá dentro, e também as histórias de um livro azul que simplesmente descrevia um monstro dentro de mim e o que ele fazia com quem estava próximo a mim. Foi quando troquei de lado, queria aprender mais sobre o tal livro azul e queria também poder resgatar quem precisava da minha ajuda. Passava horas na madrugada trocando ideia com quem estava na abstinência, só pra poder ajudar. Perdia minhas noites no quarto para ensinar xadrez ou para simplesmente não deixar um irmão ir embora para usar. De tanto ensinar os outros a ficar limpo acabei aprendendo. Foi só ao enxergar a dor dos outros e tentar curá-la que eu consegui enxergar a minha dor. Foi só quando eu ajudei os outros caras a ficarem limpos que eu também fiquei. Mas valeu a pena ficar limpo, eu vi o que as drogas de fato são, o que elas de fato fazem na vida de inocentes e vi também, finalmente, o que elas fizeram comigo. Hoje, tenho uma família, um filho, trabalho e casa. Eu venci. É possível vencer.                                    J.P. 26 anos

 

A minha relação com as bebidas é de trabalho, mas triste é ver quantas oportunidades as pessoas perdem ao se envolver com SPA (substâncias psicoativas) ou álcool, além de vários prejuízos familiares.                          A.P. 25 anos

 

Hoje, depois de superada as crises com nosso familiar, um copo de cerveja representa apenas uma bebida refrescante e até relaxante quando ingerida com moderação. Porém, quando um adolescente se utiliza desse copo e sem controle, o resultado é bem mais amargo que a própria bebida. Acompanhei o tratamento desse de um sobrinho e sua luta para se livrar das drogas. Com muito sofrimento e dedicação, hoje ele está livre. É gratificante ver que toda a luta não foi em vão. E por pior que a pessoa esteja, nunca vire as costas.                                    I.F. 47 anos

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